quarta-feira, 25 de julho de 2007

Ventilador - Edição Especial 50º CONGRESSO DA UNE - Box - Pg 01

Tem batom no microfone

No ano em que completa 70 anos, a UNE realiza seu 50º Congresso elegendo uma mulher para presidência. Ao todo foram 47 presidentes, 44 deles homens. Abaixo um pequeno perfil das poucas, mas poderosas mulheres que comandaram a UNE
Karina Padial

Clara Araújo não tinha codinome. Embarcou num ônibus rumo ao Encontro Nacional dos Estudantes. Parou no meio do caminho, pois junto com os estudantes, policiais à paisana viajavam para Belo Horizonte. O saldo foi uma prisão que durou três dias, num espaço com tanta gente que era preciso dormir em pé. Esse foi o início da vida no movimento estudantil da primeira presidente mulher da UNE. Entre 1982 e 1983, esteve sob suas rédeas um bando de marmanjos que empunhavam uma bandeira principal: a reconstrução da UNE, num momento em que a ditadura militar começava a se enfraquecer.

Gisela Mendonça foi refundadora e editora da Revista Movimento, publicação histórica da UNE. Mas antes disso, foi a segunda mulher a assumir o cargo de presidente da entidade. Mineira, de Belo Horizonte, fez medicina na Universidade Federal de Juiz de Fora, mas o curso só a ajudou para integrar a diretoria de biomédicas da entidade estudantil. Foi daí para a consagração. Com a chapa UNE Livre, apoiada pela UJS, venceu as eleições no 37º Congresso, o primeiro na era da legalidade da entidade, após o regime militar.

Patrícia de Angelis caiu de pára-quedas na presidência. Pelo menos é assim que ela mesma classifica sua indicação. “Eu me lembro que eles me convidaram para participar da composição da chapa e foi feita uma discussão de quem a gente ia apresentar para presidente. Surgiram alguns nomes e disseram: ‘então você!’, porque nós éramos a bancada mais importante, eu acho. Não sei se a mais, mas era uma bancada importante no congresso. Talvez tenha sido isso. Talvez eles quisessem valorizar essa coisa de eu ser mulher. Sinceramente, eu não consegui identificar alguma coisa no meu nome que me diferenciava de outros”. Enfim... sua eleição aconteceu em 1989, no Congresso realizado na Unicamp, quando tinha apenas 21 anos.

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