quarta-feira, 25 de julho de 2007

Ventilador - Edição Especial 50º CONGRESSO DA UNE - Pg 01

Garota superpoderosa

Se eleita, Lúcia, gaúcha como Patrícia e estudante de jornalismo como Gisela, quebrará um jejum de 16 anos sem uma mulher à frente da UNE. Quem é, o que pensa, de onde veio e do que gosta a moça que vai comandar o movimento.
Por Pedro Venceslau

Lúcia Klunt Stumpf. O nome é complicado mesmo. E deve estar errado. Mas pode chamar de Lúcia. Ela é gaúcha, bonita e articulada, assim como sua conterrânea Manu, a deputada e musa comunista. As duas, aliás, são (ou foram) grandes amigas. Lúcia, para quem não sabe, será a nova presidente da UNE. A quarta mulher a comandar a antológica entidade, que em 2007 completa 70 anos. Uma baita efeméride. Lúcia herdará o cargo de Gustavo Petta, um mito. Ele foi o mais jovem presidente e ficou quatro anos no cargo. Outro recorde. Petta, Manu e Lúcia são da mesma geração. Mas voltemos para Lúcia: a próxima presidente da gloriosa UNE tem vinte e poucos anos, mais exatamente 25. Estuda jornalismo, mas não sabe se será repórter. Em breve entrará para um seleto grupo, ao lado de Lindberg, Serra, Aldo, Orlando, Dirceu (epa..., esse perdeu a eleição de Ibiúna, em 1968 – faz tempo, mas a gente lembra). Voltemos a Lúcia. Ela tem tatuagens inacreditáveis pelo corpo: no braço, uma série de estrelas coloridas e, nas costas, um dragão. Seu cabelo já foi vermelho, roxo, azul... Dizem até que foi loira, mas isso não temos como provar. Ninguém dúvida que Lúcia Stumpf será eleita presidente da UNE. Ela representa a frente “Eu quero botar o bloco na rua” e quase todo mundo no 50º Congresso faz ou fará parte desse bloco. Mas o que esperar da nossa rainha da bateria? “Será um grande desafio porque temos que construir a sede da UNE na Praia do Flamengo, ampliar a diversificação de atuação da entidade, aprofundar o diálogo com a diversidade de opiniões entre os estudantes e, sobretudo, realizar grandes mobilizações que possam desaguar nas mudanças que precisamos fazer na universidade e no Brasil”. Vai, enfim, bater de frente. A pergunta que não quer calar: quem enfrentará Lúcia? Tudo indica que haverá um massacre. O PT foi dizimado. O PSOL é uma igrejinha. O PCO... bem, pimenta nos olhos dos outros é refresco: Um é bom, dois é demais, três racha. O PSTU quer voltar para UNE depois de tentar inventar uma entidade própria e quebrar a cara. Nessa sopa de letrinhas, os restos do Partido Repartido estão em crise, precisam fazer muita conversa política (a DR do ME). O fato é que faltam bons quadros para algumas forças políticas, enquanto em outras surgem líderes aos borbotões. Petta, Lúcia, Manu, Gavião, Renata (Petta), Augusto SP, Thiago SC, Luana MG, Daniel RJ, Diogo MG, Tokarski GO. Tropa de elite. Isso sem falar nas mulheres. Nunca antes na história desse país (parodiando Lula), tantas mulheres dirigiram UEE’s ao mesmo tempo. Clarissa Peixoto, em Santa Catarina; Anne Cabral, em Pernambuco; Fabiana Zelinski, no Paraná. Além de mulheres, elas têm outra coisa em comum. São da UJS, assim como Lúcia. São todas, portanto, garotas superpoderosas.

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